newsletter

Acompanhe nossas redes:

Luto por um sonho que não vou deixar morrer

09/05/2012 13h19 - Atualizado em 09/05/2012 13h28

Luto por um sonho que não vou deixar morrer

Como vocês sabem, semana passada eu participei da etapa norte/nordeste do Circuito Loterias CAIXA. Hoje eu esperava relatar acontecimentos alegres, notícias pra lá de boas, mas não é isso que ocorrerá nas próximas linhas. Não nadei bem as minhas melhores provas, os 100m livre e 50m livre, tanto que piorei em segundos nos 100m livre e em décimos os 50m livre. Melhorei um pouco a minha marca nos 100m costas, mas saí da prova muito triste, porque eu tinha a consciência de que, se o cansaço não tivesse me pegado do jeito que pegou, eu teria nadado muito melhor. Eu estava nadando melhor nos treinos, ou seja, pela lógica, era pra eu melhorar ainda mais na competição, não piorar. Melhorei a marca dos 100m peito, mas, também devido ao cansaço, não nadei tudo o que estava nadando no treino.

Não sei de onde veio todo aquele cansaço, eu realmente não entendo. Sei apenas que senti muito em todas as provas, o corpo estava pesado, as braçadas não saíam da maneira que deveriam sair, as pernas não batiam durante toda a prova. Depois da primeira prova, os 100m livre, onde eu tinha quase certeza que conseguiria bater o índice mínimo que me classificaria pras etapas nacionais, fico sabendo que aumentei dois segundos em relação ao meu tempo do ano anterior, me afastando ainda mais do índice. Chorei muito. Muito mesmo. Entrei na piscina de soltura chorando, mas tinha que me controlar pra nadar os 100m costas. Depois de chorar e chorar, consegui me acalmar pra nadar os 100m costas. Aquela esperança boa tomou conta do meu coração, aquela fé voltou a invadir o meu ser e eu acreditei piamente que o índice viria nos 100m costas. Mas não veio. Diminuí a minha marca em relação ao ano anterior, mas fiquei dois segundos acima do índice. Não foi o suficiente. E eu sei que eu poderia ter nadado bem abaixo do tempo que fiz, mas bem abaixo mesmo. Mas, uma vez mais, o cansaço se fez presente, me arrancando o índice. Tudo isso se deu no sábado pela manhã.

À tarde, eu teria os 50m livre, a minha melhor prova, na qual eu tinha a maior chance de índice. Não ter conseguido índice nas duas provas da manhã de sábado me abalaram, não vou negar, mas na hora dos 50m livre eu já estava calma, focada, com fé de conseguir índice na minha melhor prova. Mas também não veio. Aumentei alguns décimos em relação ao ano passado (e quase um segundo ao tempo que fiz no treino), foi então que me senti derrotada, chorei copiosamente, pensei em abandonar as piscinas, em desistir de tudo. Chorei no SESI/RN, chorei durante o percurso de volta para o hotel, chorei no quarto de hotel. Chorei. Acho que eu nunca chorei tanto num período tão curto. No domingo eu só tinha os 100m peito, a minha pior prova, mas que eu ainda tinha uma chancezinha de índice. Nadei bem melhor que no ano passado, mas mesmo assim não nadei a metade do que eu estava nadando nos treinos. Depois da prova de peito, chorei de novo. E quanto mais eu lembrava das provas do sábado e a do domingo, mais eu chorava e menos entendia o porquê de eu ter me saído tão mal nelas. Eu tinha treinado tanto, todos os dias, alguns dias duas vezes por dia. Eu me dediquei tanto à natação nos últimos meses. E por que isso? Eu simplesmente não conseguia entender. Pensei: "ah, eu não tenho o dom pra isso. São tantos anos tentando estar entre as melhores do país e eu sempre fracassando...".

E são nessas horas que os fracassos vêm todos de uma vez à mente. Lembrei do ENEM, do tanto que eu estudei, das muitas horas no cursinho, do tanto que eu tinha me dedicado. Até tinha parado de nadar e de malhar na época do cursinho, tudo pra entrar no curso de Biblioteconomia da UFAL. Pronto, foi aí que eu questionei a vida a razão de tantas quedas. Porque, caramba, a gente faz tudo certo, se dedica e o resultado que vem é negativo? Qual é a lógica disso?

Então foi aí que eu parei, enxuguei as lágrimas, analisei todo o meu comportamento como atleta e vi que não vivia como uma atleta de verdade. Ser atleta não é só ir aos treinos (e, no meu caso, atrasada). Para conquistar algo, é preciso se ter disciplina. Um atleta sem disciplina não consegue ir muito longe. Tudo bem, eu me dediquei nos últimos meses, mas foi na fase final do treinamento. E antes? Como eu me comportava? E as noites que passava em claro, na internet, me desgastando quando eu deveria estar recarregando as energias pra treinar no dia seguinte? E a dieta que preciso fazer pra perder uns quilinhos consideráveis? E a academia, tão essencial a um atleta, que eu preciso voltar a ir? São essas coisas que, quando somadas, fazem uma diferença enorme.

Confesso que ainda estou extremamente triste e, na verdade, tenho evitado pensar no regional. Porque pensar nele não vai resolver nada, não vou ter a chance de nadar as quatro provas novamente. Os erros técnicos, claro, precisam ser lembrados para que, numa próxima, não se repitam. Mas eu realmente estou evitado pensar no motivo de as coisas terem dado tão errado pra mim no último fim de semana. Eu esperava resultados bem diferentes, mas bem diferentes mesmo. Resultados expressivos, extremamente positivos. Eu esperava fazer as minhas melhores marcas. Porém, a vida gosta de me pregar peças, por mais que eu a comunique que tais peças não me agradam.

Algo que eu desconfio que a vida não saiba é que, da mesma forma que ela sabe ser irônica, eu sei ser ferro. Tenho os meus momentos de desespero e de descrença, mas eu sempre volto a acreditar em mim e em meus sonhos. Eu sou insistente. Não sei se a minha insistência é burra, mas eu sou do tipo de pessoa que nunca se dá por satisfeita. Posso passar anos e anos tentando alcançar uma meta, mas algo em mim grita para que eu não desista, para que eu continue firme, lutando bravamente, pois chegará o dia em que eu vou alcançar e vou olhar pra todo o percurso que fiz com o peito explodindo de orgulho e o corpo vibrando de alegria. E é assim que seguirei, com o coração cheio de fé, o corpo repleto de força, a mente cheia de sonhos. Eu sou assim.

Quero fazer um agradecimento especial aos meus pais e ao meu irmão, que sempre me apoiaram em todos os meus projetos, que invariavelmente se alegram com as minhas vitórias e choram junto comigo nas derrotas.

Quero agradecer aos amigos, em especial ao Ismael Gomes e a Paula Frassinetti, que estavam ao meu lado, chorando comigo e me apoiando, repetindo que eu era ferro e que eu não poderia desistir da natação, muito menos de mim.

Mas, principalmente, quero agradecer ao meu técnico Diego Calado, que sempre acreditou em mim, que repete incansavelmente que chegará o dia em que eu conseguirei estar entre as melhores do país, que alcançarei, sim, as minhas metas. É ele que me diz sempre: "Você pode, você consegue!". Foi ele que me disse algo que jamais esquecerei. No domingo, voltando pra Maceió, disse a ele que talvez eu não tivesse o dom de nadar. Ele disse que essas coisas não se tratam de dom, ou não apenas de dom. Tratam-se de querer. Querer e fazer, trabalhar arduamente para conseguir os objetivos. E ele tem razão.

Obrigada por tudo, Diego. Peço desculpas por não ter conseguido honrar os treinos que a gente teve. Como disse no domingo passado, você merece um atleta que vá lá na competição e honre os treinamentos que teve.

Mas olha, não sei bem o que houve de errado, mas estou totalmente disposta a corrigir, a melhorar, a honrar esse amor todo que sinto pela natação.

Uma coisa que tenho repetido pra mim mesma: Menos falação e mais ação, Erica. Agora tem que ser natação!

Diego, já disse, mas não me canso de repetir: você é o melhor. O que seria da equipe de natação da ADEFAL sem você? Nada. Mas nada mesmo!

Thankyou, coach!

 

Erica Ferro

 

*Escrito em 05/05/2012

Deixe Seu Comentário

R. Clementino do Monte, 312 - Farol, Maceió-AL

Informações: 82 2121-8686

2012 © ADEFAL. Todos os direitos reservados. Proibido reprodução não autorizada.